Sobre os Valores

Há uma questão que me incomodou por um bom tempo: O que é de importância absoluta para um homem. O que se pode desenvolver sem limites mesmo com todos os efeitos colaterais que este desenvolvimento pode causar, melhorando como individuo e um membro da sociedade?

Quando eu era criança, meus pais diziam que ser inteligente é a coisa mais importante da vida. Todos as outras coisas estão em segundo plano. Se você é inteligente, você é útil para a sociedade, e a sociedade vai te corresponder com a mesma moeda. E não basta ser apenas um erudito que leu muito, tem que ser mesmo inteligente! Eu sempre convivi confortavelmente com essa ideia, sempre tentando ser mais inteligente esperando poder um dia fazer parte da sociedade seleta de homens que são de fato inteligentes. Julgava que tal lugar só poderia ser a universidade e a comunidade científica. Acreditava que pelo fato dessa comunidade, ser formada apenas por homens inteligentes, tudo já tinha sido pensado e tudo era justo permitindo que todos ficassem satisfeitos.

Mas a realidade russa acabou sendo um pouco diferente. Tem sido assim na Rússia desde o governo soviético, a maioria das instituições de ensino superior são do Estado. As universidades russas tem um orçamento medíocre; o salário médio de um cientista é oficialmente 550 dólares (18 mil rublos). Em comparação com o Brasil, professor de primeiro ano aqui recebe cerca de 4.000 dólares após impostos. É uma outra ordem de magnitude. E tendo em conta que os chefes de departamento e professores têm salários mais elevados do que aqueles no início de suas carreiras na universidade, jovens cientistas ganham em média US$ 400. Para sobreviver eles têm que trabalhar em tempo parcial em outro lugar, o que naturalmente torna a qualidade de seus trabalhos científicos muito pior. Outra opção é tentar a sorte em outro lugar: procurando um emprego não relacionado a ciência ou um trabalho científico, mas no exterior.

Ah, sim, como eu poderia esquecer dos subsídios e bolsas! Eles apoiam as pesquisas científicas que o governo reconhece como importante. Estes projetos são em sua maioria de defesa e/ou algumas ciências aplicadas. Para receber uma bolsa, além das obrigações, você tem que se ajustar a alguns critérios.
Quando se tem cheiro de dinheiro no ar, tudo é feito por todos os meios possíveis, e geralmente aquele que é o melhor em exibicionismo leva: Muitas pessoas parafraseiam o mesmo trabalho de pesquisa e o publica cinco vezes, além disso pedem para alguns cientistas mencionar os seus nomes entre a lista de autores e em troca mencionam esses seus nomes no trabalho deles, fazem citações a partir de seus próprios trabalhos, a fim de aumentar o seu índice de citações, etc.
Essa é a forma como o dinheiro desaparece. Os recursos foram alocados, mas o output real é aproximado a zero. A ciência pura é simplesmente acometida a dar passos de tartaruga nestes casos.
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As universidades russas normalmente tem dois tipos de pessoas, Os fanáticos, e aqui uso o termo fanático no melhor sentido da palavra (especialmente dedicado e disposto a trabalhar e fazer de tudo para conseguir qualquer soma de dinheiro) ou aqueles que não são capazes de conseguir um emprego melhor remunerado (os mente-fechada ou simplesmente estúpidos). Os fanáticos são peças vitais, embora não há mais do que 20 por cento deles como em qualquer outra area.

Um argumento que suporta todas essas ideias é a minha própria experiência encontrado cientista russo da nova geração. A maioria deles é faz parte daquele tipo de cliente escorregadio que está constantemente à procura de lucro. No entanto já escutei histórias suficientes sobre os cientistas russos e suas ações estranhas e inexplicáveis, mas isso deixarei para um outro post.
A propósito: a comunidade brasileira de cientistas parece muito mais como o que eu imaginava na minha infância.

Ok, vamos deixar o assunto como a política de governo russo de lado e manter o foco nos valores humanos. Enquanto eu era um estudante do último ano eu tinha claramente na minha mente que ser inteligente não era uma panaceia. Mesmo por intuição, quem parece ser uma pessoa melhor, mas fazendo coisas ruins e, devido à sua inteligência, executando essas coisas, de forma elegante e elaborada, é inteligente ou um tolo simples tentando não atrapalhar?
Podemos ver em quadrinhos que são muito populares no momento um exemplo notável de malfeitores inteligentes em exagero. Dr. Hugo Strange, Mr. Freeze e Anarquia de Batman, Dr. Mobius, Alistair, Dr. Octopus de Homem-Aranha. Este contra-exemplo desencadeou uma nova pesquisa sobre uma característica humana absolutamente útil e proveitosa.

Este lugar tende a ser tomado pela verdade. Seja sempre honesto e a sociedade estará sempre bem. A sociedade está bem – e você é como um membro da sociedade também. Mas uma maçã acabou por ser carcomida. Imagine uma situação: um avião está caindo. Para aumentar as chances de sobrevivência das pessoas a bordo, o comissário de bordo não deve dizer aos passageiros sobre a queda. E se questionado, ele tem que contar uma mentira como “estamos transitando uma zona de turbulência” para evitar o pânico. Portanto, a melhor coisa neste caso é contar uma mentira.

Outro exemplo impressionante de uma mentira necessário é um romance de Boris Akunin ‘Irmã Pelagia e o Monge Negro”. No romance um cientista, não disposto a pulverizar a curiosidade em torno de asteroides radiantes caindo do céu, prefere mentir para as pessoas, a fim de salvar suas vidas.

No momento o equilíbrio está prestes a ser absoluto. Para ser inteligente, mas o mal é ruim. Para ser honesto mas estúpido – ruim novamente. Saber apenas matemática, mas não ter nenhuma ideia sobre a história nem arte -hm, questionável também. O saldo pode ser desenvolvido (ou seja pesquisado) para sempre. Mas talvez isso não dure por muito tempo e eu vou encontrar um outro contra-exemplo em breve.

Infelizmente, no mundo moderno, o dinheiro é a coisa mais valiosa. É estranho ouvir isso de um jogador de pôquer, porque no pôquer basicamente o único objetivo é garimpar as pedrinhas de ouro. Para a maioria das pessoas só a vida de sua família ou a sua própria é mais valiosa do que o dinheiro. O resto é mais barato, (que palavra hein?) e muito mais barato.
Se uma pessoa disse algo questionável, basta oferecer algum dinheiro e as palavras começam a se contorcer como bailarinas. A palavra é algo que você diz e esquece. Mas o dinheiro é uma coisa que você vai ter que procurar em algum outro lugar, ganhá-lo de alguma forma. Antigamente as apostas costumavam ser ainda maiores: você podia ser desafiado a um duelo. Mas a humanidade ganhou. Hoje é apenas dinheiro. E só porque ele é precioso para a maioria.
A meu ver, isso é um dos poucos efeitos desagradáveis pós queda da Cortina de Ferro – dando um valor absoluto e absurdo para o dinheiro. Quando eles viram um mercado livre, as pessoas decidiram que, se você pode comprar quase qualquer coisa por dinheiro, você pode sacrificar qualquer coisa para obtê-lo. Contar uma mentira – fácil.
Ser rude – por que não?
Roubar? – Fique avonts, a casa é sua!
Ah, mas e se não houver nenhuma outra chance de roubar?
– Então nesse caso é melhor roubar mais ainda dessa vez.
Matar?
Bom esse dinheiro a mais certamente vai mudar minha vida para melhor!

Para melhor…?

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