cavalos

Ando frequentemente a cavalo mesmo que a primeira vez tenha sido já era adulto.
Minha primeira vez com o cavalo foi durante minhas férias nas montanhas do Altai.
Normalmente as pessoas que moram naquelas regiões ganham dinheiro alugando cavalos domésticos para turistas, mas sempre rola uma enganação nos preços.
Montei o cavalo, aprendi o basicão e embrenhei-me floresta adentro.
Gostei tanto que uma semana depois participei de uma excursão a cavalo, pelo interior das regiões do Altai, que durava um dia inteiro.
Dessa vez consegui galopar pela primeira vez e senti um grande amor pelo cavalo.
Quando voltei a minha cidade natal comecei a procurar por passeios cada vez mais frequentemente.
Na minha cidade havia 2 estábulos. Num deles os cavalos estavam num estado muito precário. (não pela vida boa no estábulo)
No outro as condições eram melhores, mas havia só duas opções:
Ter aulas de montaria ou fazer um passeio pela floresta.
Eu não planejava dedicar-me ao hipismo e sim a passear na floresta fazendo realizados a trote pela mesma trilha cerca de 1 km de comprimento entre a estrada e o estádio.
Não posso esquecer também de mencionar que temos 7 meses de frio e que durante esse período os cavalos sofrem muito para sair do estábulo e carregar alguém sem saber para onde através de montes de neve.
E foi assim que a vontade de estar sempre cavalgando desapareceu.
Logo que mudei de endereço comecei a procurar novamente. Entretanto todas as buscas terminaram em fracasso, porque todos os estábulos estavam fora do alcance dos transportes públicos e naquela época não tínhamos um carro.
Com a tentativa seguinte a história foi diferente. Havia um ônibus que nos deixava a 10 minutos do local, a partir do qual abria-se uma vista para um terreno baldio enorme contornado por uma floresta. Ali encontrava-se o que eu tanto buscava.
Havia estábulos, duas circuitos para treinamento e um lugar para pastagem e piquete. Parecia confortável e como se tivesse sido projetado para os animais.
O estábulo oferecia aulas de equitação e passeios no parque que duravam de 1-3 horas, e uma vez a cada dois meses, eles organizavam vários dias de trekking em diferentes regiões do Brasil. A equitação comum era realizada (como eu percebi mais tarde) no parque ecológico mais próximo que tinha 10 km ² e que era aberto apenas para pilotos e ciclistas.
Eu não esperei por muito tempo para realizar meu segundo passeio no parque pois queria muito refrescar a sensação de estar em uma sela antes da próxima caminhada que perduraria o dia inteiro.
Num belo fim de semana fomos para a nossa segunda expedição e entre os participantes havia uma garota de 8 anos chamada Amy.
A mim foi dado Cardinon, Amy montou a égua Luna.
Assim que chegamos no parque nossa instrutora autorizou a mim e a Amy seguir enfrente e subir a montanha enquanto ela inspecionava a habilidade de trotar da amiga
O parque era enorme e tinha muitas trilhas. Estivemos lá só uma vez.
A pequena garota japonesa parecia estar tão confiante de si que decidi seguir cavalgando atrás dela. Quando alcançamos o lado oposto de uma pequena relevo avistamos uma bifurcação e a garotinha parecia bastante indecisa sobre qual caminho tomar e então passei por ela para dar uma espiada nos caminhos aos quais a trilha levava. Quando eu emparelhei meu cavalo com o da Amy ouvi um barulho estranho parecido com de um apito. Não tinha certeza se o som que contornava ecoando em meus ouvidos era produto da minha imaginação ou se era um som feito pelo cavalo da Amy. Talvez Amy tivesse tentado puxar o cavalo e coloca-lo em pé. Cardinon se assustou e começou a galopar imediatamente. O cavalo da Amy atrás de nós. Depois de subir e galopar rapidamente montanha a baixo consegui controlar o ofegante Cardinon ainda que Amy e Luna se aproximassem a galope.
Decidimos ficar entre os arbustos. Esperamos um bom tempo pela nossa instrutora e chegamos a conclusão que seria mais fácil voltar para a entrada do parque para descobrir se tínhamos pego a trilha certa.
Trotávamos em direção à estrada principal lentamente. Eu ia um pouco a frente. Amy alguns passos atrás. Amy queria me dizer alguma coisa e emparelhou seu cavalo com o meu novamente. Assim que a cabeça do Cardinon tocou a cernelha da Luna escutamos aquele som esquisito de novo e Cardinon colocou-se a galopar. Aparentemente Amy como da outra vez se assustou e desta vez já nos primeiros metros escutei gritos histéricos: Para, Luna, Para! Não entrei em pânico, puxei as rédeas tentando parar o cavalo e, por vezes, tentava dirigi-lo ao grupo de arbustos (a maneira usual para parar o cavalo em uma situação crítica), sabendo que havia um portão de 3 metros em nosso caminho onde o cavalo teria que parar de uma maneira ou de outra.
Às vezes, os gritos da Amy se ensurdeciam, pois a menina parecia estar mais ocupada se esforçando para manter-se sobre a sela. Aproximando-se do portão, Cardinon virou a cabeça, olhou em volta e reduziu a velocidade como eu esperava. Enquanto Amy se aproximava virei à esquerda para deixar algum espaço para Luna. Foi um erro fatal.
Tendo ouvido os cascos, Cardinon começou a procurar maneiras de escapar e conseguiu. Havia um caminho bem estreito ao lado esquerdo e meu cavalo decidiu desta vez por si só que deveria entrar por ali. Aquele caminho não deveria ser usado para passeios a cavalo: muitas curvas, galhos de árvores no caminho bem na altura do cavalo, isso para não mencionar a altura de um cavaleiro. Estava longe de ser fácil para galopar com todas aquelas curvas e por isso eu apenas me focava em me manter na sela desviando dos galhos. Eu não ouvia a voz da Amy, mas o som dos cascos me faziam pensar que Amy estava fazendo o mesmo – fazendo o seu melhor para ser machucar menos.
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Uma volta e meia depois avistei Luna e a sela vazia. Os ramos foram ficando cada vez mais densos, o caminho, que no início percorria ao longo da cerca do parque, estava agora adentrando a floresta.
Sentia meus braços ardentes pela fricção com os arbustos e tinha esperanças de entrar numa trilha mais larga. Mais uma curva e vi surgir diante dos meus olhos uma surpresa nada agradável . Um tronco enorme de uma árvore estava pendurado do outro lado da pista, fixado um pouco abaixo da altura do cavalo. Cardinon parecia decido a não titubear e foi enfrente. Só tive tempo de ajustar um pouco a sela antevendo oque estava prestes a acontecer. O cavalo abaixou a cabeça, e eu…pbrulum. A próxima coisa que me lembro era a minha mão sobre a sela, e eu ainda sobre o cavalo, o gosto de forte de sangue na minha boca, o sangue dos ferimentos na testa escorrendo e recaindo sobre meus olhos. e estamos indo por um caminho largo.
Naquela hora já não era mais difícil conduzir o cavalo e vira-lo em direção ao grupo de árvores e para-lo. Desci do cavalo e comecei a leva-lo pela rédea. Em meio minuto, um guarda do parque em uma moto chegou ao local. Ele tinha saído de sua guarita por causa dos gritos que ouvira. Ele perguntou como eu me sentia, mas preferi dar mais atenção ao fato de que o segundo cavalo estava indo em direção a entrada do parque. Com movimentos conturbados, partimos em busca da instrutora. Fui embora com um corte na testa e um par de dentes perdidos.
Ainda em estado de choque não me atrevi a montar no cavalo novamente e fui a pé até a entrada do parque. Quando cheguei ao portão de entrada os guardas lá me disseram que a menina saiu com alguns hematomas, por causa da queda, nervos a mil e voz tensa. Logo em seguida nossa instrutora chegou e continuamos nossa “caminhada”.
Quanto ao aspecto moral de manter os cavalos em cativeiro, dizem que as pessoas atormentam os animais e os fazem se reproduzir apenas para o bem dos seres humanos, e não por sua própria vontade. Faz algum sentido sobre a corrida de cavalos. Afinal, apesar do espírito competitivo de qualquer competidor, a quantidade de dinheiro por trás deste business faz com que até as tripas do animal sejam arrancadas para fora.
Mas quando se trata de equitação, bem como o papel do animal na fazenda, então eu não acho que tudo é tão ruim assim.
A razão que os meio-ambientalistas costumeiramente trazem a tona: O cavalo viveria com os humanos se ele tivesse o poder de escolha? Eu confio na minha própria experiência. Eu morava em uma pequena vila nas montanhas de Altai há algum tempo. A existência deste povoado seria impossível sem o cavalo, pois não pode ser alcançado de carro, ou até mesmo de trator.
Então os cavalos fornecem a sementeira e a colheita à vida das pessoas. Em contrapartida, as pessoas dão a eles um abrigo quente perante o frio do inverno (a temperatura cai para -40 ° C). Assim, essa união ajuda ambos a sobreviverem.
Se essa cultura de equitação não existisse, a população de cavalos iria diminuir a números muito mais baixos do que os atuais, e esse é um dos motivos pelo qual considero razoável manter o cavalo como animal doméstico. Uma vez que a equitação é um esporte popular, as pessoas defendem estes animais, ficam de olho na saúde deles e na população, até mesmo obtendo novas raças.

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